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Parceria da ABRAGEM com o Ministério do
Artesanato Argelino é notícia no mundo


O Ministro das Relações Exteriores da Argélia, Sr. Mourad Medelci, presidiu a terceira sessão da comissão argelino-brasileira juntamente com o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Sr. Celso Amorim. Ao término da reunião, o Ministro Mourad Medelci declarou a decisão conjunta de compor um grupo de profissionais especializados encarregados de elaborar um projeto de acordo global para reforçar a parceria entre o Brasil e a Argélia. Seis acordos de cooperação abrangendo atividades como a agricultura, a saúde, o artesanato e as pequenas e médias empresas foram, então, assinados. No âmbito deste novo acordo de cooperação internacional, estão sendo implementados diversos projetos entre a Argélia e o Brasil. Um destes projetos envolve a Transferência de Conhecimento para a Produção de Gemas Lapidadas, Jóias e Artesanato Mineral, através da ação da Associação Brasileira dos Pequenos e Médios Produtores de Gemas, Jóias e Similares: Mineradores e Garimpeiros (ABRAGEM) e da Agência Nacional de Artesanato Tradicional (ANART), da Argélia. O projeto para produção de gemas lapidadas, jóias e artesanato mineral tem por objetivos:
a) implantar na Casa de Artesanato em Tamanrasset uma escola-piloto de formação em lapidação de pedras preciosas, compreendendo ateliers de lapidação, ourivesaria e design;
b) capacitar formadores argelinos destinados a assegurar a formação de artesãos argelinos nos campos de ourivesaria, design e lapidação de pedras preciosas e semi-preciosas; e
c) intercâmbio de experiências entre artesãos brasileiros e argelinos no campo da ourivesaria e do design, com vistas à valorização das pedras preciosas lapidadas.
A cidade tuaregue de Tamanrasset (Tamanghasset ou Tamenghest, na língua berbere), cuja Casa de Artesanato participa do mencionado projeto de cooperação com o Brasil, conta com 76.000 habitantes e está situada em um oásis, no sul da Argélia. Segundo um artigo de 2006 sobre o
Festival das Culturas dos Povos do Deserto em Argel, baseado em uma notícia do jornal El Watan, artesãos tuaregues figuravam entre os expositores do Saara, apresentando jóias sóbrias e austeras como o ambiente em que vivem. O jornal El Watan informava que algumas das jóias artesanais apresentadas foram o tirewt, talismã protetor contra o mau olhado, brincos triangulares fabricados em Tamanrasset, representando as pegadas das patas de uma gazela, além do colar tamit, fabricado em Bordj Badju Mokhtar. De acordo com os artesãos tuaregues, Tamit era a deusa da beleza para os tuaregues mais antigos. O artigo sobre a feira de artesanato conta, ainda, que o colar tamit, de prata, é formado por um círculo representando a lua, no qual está suspenso um losango cujas arestas significam quatro direções. Homens e mulheres utilizam esta jóia cujas formas geométricas relacionam-se a cada faceta do nosso cotidiano. A lua e as quatro direções acentuam o fato de que eles gostam de viajar à noite, quando as temperaturas são mais amenas, podendo-se economizar água e estar em segurança, desapercebidos pelos bandidos. O autor do artigo esclarece, também, que muitos dos artesãos mais jovens ignoram o significado das formas e desenhos das suas jóias, reproduzindo apenas os detalhes ensinados pelos artesãos mais antigos e sábios. Percebe-se, que, na tradição tuaregue, assim como na tradição brasileira, é fundamental preservar a riqueza cultural do povo para as geração seguintes, através, também, da compreensão do significado do seu artesanato.
A compreensão dos elementos que fazem parte da cultura de uma sociedade, representados nos ornamentos das jóias e de outros artesanatos, pode ser perdida se não for devidamente valorizada e reconhecida. Espera-se, por fim, que este novo projeto entre a Argélia e o Brasil para produção de gemas lapidadas, jóias e artesanato mineral propicie não somente a troca cultural e econômica entre estes dois países, mas também a preservação de suas riquezas culturais e tradicionais pela valorização, pelo reconhecimento e pelo estudo das características e significados da sua joalheria étnica.
Por Alice Marc / Fonte: Blog Biarnesa